domingo, 6 de outubro de 2013

Anjo Imperfeito

“Não há perfeição” – diz-me com firmeza na voz- mas quanto mais argumenta mais percebo que está enganado. Não existe gesto, palavra ou atitude que me mostre e que me permita rotulá-lo como imperfeito. Ele não sabe. Ele não consegue ver o que eu vejo. A perfeição está diante dos meus olhos e, como comum mortal, o meu anjo imperfeito cega-se quando se olha ao espelho com o brilho do superficial e do acessório.
Como é hábito, pede-me que refute a sua teoria e que exponha a minha opinião porque perfeição é coisa que não existe!… O fato é que jamais conseguiria fazê-lo porque não existem argumentos racionais que me permitam rematar com sucesso e sair vencedora desta discussão. A única certeza que tenho é que existe algo nele: na sua essência e na sua natureza que não me deixa parar de o fixar. Algo naquele ser humano é tremendamente encantador, puro e belo. Algo que ele carrega no peito e que eu própria jamais conseguirei explicar.
Contudo não consigo parar de me questionar como sou a única que o consegue ver. Como é possível que tamanha obra de Deus seja apenas visível para quem tem a capacidade de o olhar com atenção? Ou terá ele usado dotes de magia que enfeitiçaram a capacidade para ver com clareza nestes olhos outrora imparciais? Por mais que perscrute as ruínas do meu pensamento saio sempre de lá sem nenhuma resposta. Desta viagem somente trago comigo questões e incertezas que somem unicamente quando ele me fixa com o olhar tranquilo e ternurento.
Nisso o meu anjo imperfeito não é como eu. Vive com a simplicidade duma criança e busca a felicidade com a garra de um guerreiro. Guardo uma secreta admiração pela sua capacidade de viver e sei enquanto os seus olhos me mostrarem o que hoje sei, tudo ficará bem. Ele não sabe. Ele não imagina o que sinto por ele, nem até onde estaria disposta a ir. Limito-me a sorrir e a mostrar tudo aquilo que se denuncia nuns olhos que não sabem mentir. Os mesmos olhos que só conseguem estar tranquilos perto do seu brilho e da paz que me transmite. Não preciso de mais nada para estar feliz e de nada mais do que o conforto daquelas asas abertas para mim. As mesmas asas que hoje são e serão sempre o meu porto de abrigo.
Ele não sabe. Ele não imagina…


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